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  • Foto do escritorAngelim .

Judiação


Postado por Angelim em 30/07/2006


Hoje cedo tava frio que ói, de doê. Me lembrei inté de quando era bem minino e ia pra fazenda duma tia minha, que fica lá no arto da Mantiqueira, num bairro chamado Roseta. Lindo demais. Mas tão nas artura que muitos dia se vê as nuvem tudinho lá em baixo. Parece que ocê tá no céu. Era divertido. Oh tempo bão. Acordava todo mundo cedinho, colocava o pão na chapa do próprio fogão de lenha. Como era gostoso. Eu que num era acostumado com toda aquela friagem ficava sentado num banquinho encima da beira do fogão de lenha. E dá-lhe café pra fazer o calor de dentro esquentá o corpo. Depois saía e ficava os primo tudo sentado na beira de uma mureta, caçando o sol. E tremia de frio, mesmo com cinco blusa por cima. Terra de temperatura abaixo do zero, fácil, fácil. Geadão vinha sempre. Aquela brancura. Foi muitas vêiz que água não saía nas torneira logo cedo, congelada que tava dentro dos cano. E eu minino, tudo novidade, achava lindo.


E era lindo......... Era.


Hoje nem sei mais que época do ano eu tô vivendo. Faz frio no verão, faz calor no inverno. Ontem eu tava vendo as notícia dos parreirá da serra gaúcha. O tempo tá tão doido, fez tanto calor no inverno, que as planta acha que chegou a primavera. Tão tudo dando flor. Agora tá frio de novo. E? O que as pobre das flor vão fazer nessa friage? Por certo vão morrer quase tudo. E depois na primavera verdadêra? Será que nasce outra?


É uma dirrubação de árvore na Amazônia e agora, pra modi completá, tão plantando soja por lá. Eu já morei pras banda do norte. Sei bem como é aquela terra e o que isso significa. Tenho medo inté de pensá. E o nosso Pantanal? Água evaporando mais rápido que o normal. Meu Deus, Nossa Senhora! Pra onde vão o Tuiuiú e o Biguá?


Sabe o que é tudo isso? É aviso. A natureza tá mostrano todo dia, do jeito que pode, que num tá mais aguentano tanta agressão. Até quando esse bicho-homem vai continuar agredindo tanto? É a pior praga da natureza. Mata por matá e destrói por destruí. Que qui vai sobrá pros que tão vindo depois da gente?


Mas eu num disisto. E acredito que tudo nessa vida tem jeito, por isso fico aqui resmungando feito véio ranzinza. Só espero que não seje por demais tarde. Quero podê vortá lá pra Roseta cum meus neto e senti frio outra vêiz. Vê pasto branco de gelo, fazendo aquele creque-creque quando a gente pisa na geada. Querer escová os dente e água num descê o cano. Sentí que num tem nada mió que esticá as mão fria numa fogueira, com discurpa que é só pra sapecá o pinhão. Esse mundão é tão bonito. Essa terra é tão generosa. Num pode continuá tanta judiação.


Té!

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