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  • Foto do escritorAngelim .

Saci Timbó


Postado por Angelim em 24/07/2009


Essa noite passada eu montei no Valente, meu fiel cavalo, e tomei rumo dum grotão que tem aqui pra trás do sítio. Estava bravo pra mais de metro, sô! Afinal tudo tem limite e o acontecido foi danado.


Voltei de férias. Preguiça tão lenta que o braço nem esticava mais. Quando eu abri a caixa da Maria Deodorina, minha querida viola encantada, foi difícil de acreditar. As corda tava tudinho trançada. Uma marvadeza que num tinha tamanho.


Só tem um tipo de coisa-ruim capaz de fazer uma coisa assim tão perversa. Saci. E não é qualquer saci não. Saci tem de muitos tipo. Aqui perto tem uma linhagem que é das mais moleca. O Saci Timbó. Esse não tem quem aguente.


Vez ou outra passava um aqui pra desafinar minha viola. Quando eu distraía e ia tocar tava as corda tudo froxa.


Só que dessa vez foi demais, sô. Fiquei numa brabeza que subiei pro Valente na hora. Meu cavalo sabe direitin quando eu tô bravo. Veio num galope ligêro e logo tava prontinho pra saída.


Saímo os dois pra caçar o tal. Valente já conhece as manha.


A primeira coisa pra fazer é comprar um fumo de rolo. Desses bem preto e de cheiro forte. Deve picar um punhado que caiba nas palma das duas mão e bater com pilão de madeira. Assim o cheiro fica ainda mais forte e fica pastoso o suficiente.


Depois você precisa de uma garrafa de cachaça, tamanho mediano, que não seja transparente nem escura. Deve ser meio turva. Como se o vidro tivesse neblinadamente sujo.


Vai pro canto donde mora o saci sem fazer barulho. Por isso vou no Valente. Esse cavalo quando sai comigo pra caçar saci parece que anda de luva.


Pega a garrafa e deixa só um restinhozinho bem pouco da pinga. O suficiente pra embeber o fumo. Não vá beber porque senão já viu. Depois de uma garrafa de cana a última coisa que você vai ver por lá é saci.


Despeje o fumo na garrafa e esprema bem espremido com uma varetinha de madeira que você encontrar no local. Assim o fumo gruda no fundo.


Pegue a garrafa e pindure de cabeça para baixo. Daí é só aguardar.


O Saci chega, sente aquele cheiro danado e fica doidinho até encontrar a garrafa. Quando vê, entra na garrafa, pega o fumo e acende seu cachimbo. Fica lá pitando e saboreando o fumo com pinga. Nunca vi gostar tanto desse trem.


Aí é ficar de olho. Assim que a fumaça do cachimbo desse capetinha parar, tem de correr bem rapidinho pra garrafa e tampar sem virar a boca pra cima e nem balançar o vidro.


Com a cachaça no fumo o saci fica tão desnortiado que não consegue fazer nada.


Eu digo mesmo. Funciona. Agora mesmo tem um Saci Timbó bem aqui do meu lado, ainda de ressaca com a cachaça e o fumo. Quero ver trançar as corda da minha viola outra vez.


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